Aline Molina pede urgência na prevenção e no combate à violência contra a mulher e afirma que a luta é de toda a sociedade. Neste domingo, a direção da FETEC participa da manifestação do Dia Internacional da Mulher, na Avenida Paulista.
O Seminário de Planejamento da FETEC-CUT/SP foi encerrado com homenagem ao Dia Internacional das Mulheres. O evento ocorreu nos dias 4 e 5 de março, em Atibaia, com a presença de dirigentes da base da entidade.
A presidenta da FETEC, Aline Molina, fez um apelo contundente pela vida e pela dignidade das trabalhadoras. Em um discurso marcado pela urgência e indignação, Aline destacou que o combate ao feminicídio e às diversas formas de abuso não pode ser uma pauta exclusiva das mulheres.
Para a dirigente, os números da violência no Brasil são alarmantes e exigem uma mudança de postura estrutural na sociedade.
“Vivemos um momento crítico. Ligamos a televisão e o que vemos é um ciclo de feminicídios, assassinatos e violência sexual. Não podemos aceitar isso como algo comum. Nosso maior desafio e desejo não é apenas continuar lutando após a agressão, mas trabalhar na prevenção para que esses crimes sequer aconteçam. Estamos cansadas de lutar apenas pelo direito de sobreviver”, afirmou.
Um dos pontos centrais da fala da presidenta foi a convocação aos homens para que assumam sua responsabilidade no enfrentamento ao machismo.
“Quero convidar nossos companheiros a entrarem, de fato, nessa luta. Afinal, quem nos agride e quem nos mata são os homens. É fundamental que vocês discutam entre si, que entendam a gravidade da situação e nos ajudem a construir uma sociedade segura. Enquanto a violência contra a mulher for vista apenas como um ‘problema das mulheres’, não teremos uma solução real”, provocou a presidenta.
Referência no combate à violência
Aline destaca que a categoria bancária conquistou avanços importantes na luta contra a violência de gênero e possui uma Convenção Coletiva de Trabalho que se tornou referência dentro e fora do país. Entre os avanços estão a criação de cláusulas específicas de combate à violência contra a mulher, medidas de proteção às vítimas e mecanismos de acolhimento no ambiente de trabalho. Segundo ela, essas conquistas precisam ser ampliadas.
“Nossa federação e nossos sindicatos atuam de forma permanente para que esses direitos se concretizem no cotidiano das agências, fazendo valer a nossa CCT por meio do monitoramento das situações de violência, do acolhimento às vítimas e da oferta de assessoria jurídica, agora fortalecida por uma ferramenta potente, que é o projeto ‘’Basta! Não Irão Nos Calar!’.”
Avanços na mesa de negociação
A secretária-geral da FETEC-CUT/SP, Ana Lúcia Ramos Pinto, destacou avanços na defesa dos direitos das bancárias nas negociações entre o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban, que instituíram março como o Mês de Defesa da Vida das Mulheres.
Ela ressaltou que uma das prioridades tem sido enfrentar a baixa presença feminina na área de Tecnologia da Informação. Graças a uma cláusula conquistada no último acordo coletivo, 2.601 mulheres já foram formadas em TI, com outras 500 em processo de capacitação. Segundo Ana Lúcia, 40% dessas profissionais já foram absorvidas pelo sistema financeiro.
“Ainda temos uma defasagem de quase 9 mil inscrições e seguiremos negociando para garantir que todas tenham acesso à formação e oportunidades no mercado de trabalho’’, disse Ana Lúcia.
Linha de frente contra o fascismo
Para a secretária de Saúde e Condições de Trabalho da FETEC-CUT/SP, Rosângela Lorenzetti, o combate à violência física e psicológica não pode ser restrito ao público feminino.
“Nós, mulheres, estamos na linha de frente contra o fascismo e o neoliberalismo, mas em pleno século 21, ainda precisamos lutar pelas nossas vidas. A violência contra nossos corpos e mentes não é um problema só das mulheres. É urgente que os homens assumam sua responsabilidade, pois são eles que matam e estupram as mulheres”, declarou a secretária.
A dirigente convocou os homens a abandonarem posturas coniventes com comportamentos abusivos. “Os homens precisam se tornar aliados reais. Devem deixar de ser cúmplices dessa masculinidade tóxica, denunciando e educando uns aos outros. Só assim transformaremos esses ambientes em espaços seguros e igualitários. Esta é a única forma de vencermos, de fato, a luta pela vida das mulheres e das meninas”, concluiu Rosângela.
Homenagem e manifestação
Ao final do evento, Aline Molina presenteou as dirigentes com uma bolsa de juta personalizada pela FETEC, que também será distribuída pelos sindicatos às bancárias de toda a base da federação. A primeira homenageada foi Ivone Silva, presidenta do Instituto Lula e vice-presidenta da CUT-SP, que participou do seminário com uma análise de conjuntura.
As diretoras da FETEC, Anaíde Silva, Políticas Públicas, e Maria de Lourdes Alves Silva, Cultura, aproveitaram para convidar mulheres e homens a participarem do grande ato neste 8 de março, na capital paulista, que vai reunir movimentos sindicais, sociais e organizações da sociedade civil, com concentração a partir das 14h no vão do Masp (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand), na Avenida Paulista.
A manifestação ocorre em meio a uma explosão nos casos de violência contra a mulher no estado de São Paulo. O estado registrou um recorde de feminicídios em 2025, com 270 mulheres mortas. O número representa um aumento de 96,4% em relação a 2021. No mesmo período, o Brasil contabilizou 1.518 mulheres assassinadas, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
Confira mais detalhes sobre as ações da categoria no Mês Internacional da Mulher em @fetecsp


