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28ª Conferência Estadual aprofunda debate sobre conjuntura e organização sindical

“A tecnologia é uma conquista da humanidade e pode melhorar a vida das pessoas. O problema é quando ela passa a ser utilizada para concentrar renda, eliminar empregos e enfraquecer direitos”, disse Juvandia Moreira

 

A segunda mesa da 28ª Conferência Estadual dos Bancários e Bancárias da FETEC-CUT/SP transformou o debate de conjuntura em um chamado à mobilização da categoria diante dos desafios políticos, econômicos e sociais que marcam o Brasil e o mundo. Em um cenário de avanço da extrema direita, ataques aos direitos trabalhistas, reestruturação acelerada do sistema financeiro e disputa de projetos para o país, dirigentes sindicais e lideranças políticas defenderam a organização da classe trabalhadora como elemento central para a preservação da democracia e a construção de um modelo de desenvolvimento comprometido com inclusão social, emprego e soberania nacional.

Mediada pela secretária-geral da Federação, Ana Lúcia Ramos Pinto, a mesa reuniu a presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira, e o deputado estadual Luiz Cláudio Marcolino (PT), ex-presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.

Mais do que uma análise dos acontecimentos recentes, o debate procurou conectar passado, presente e futuro, demonstrando como as transformações políticas e econômicas da última década continuam impactando diretamente a vida dos trabalhadores e o cotidiano da categoria bancária.

Ao iniciar sua exposição, Juvandia afirmou que a Campanha Nacional dos Bancários não pode ser compreendida apenas como uma negociação salarial. Para ela, cada mesa de negociação, cada cláusula da Convenção Coletiva e cada conquista da categoria estão diretamente ligadas ao ambiente político e institucional do país.

A dirigente relembrou o processo iniciado com o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff, passando pela Lava Jato, a prisão do presidente Lula e a ascensão de um projeto político que, segundo ela, promoveu um dos períodos mais agressivos de retirada de direitos da história recente do Brasil.

“Não estamos falando apenas de uma disputa eleitoral ou partidária. Estamos falando de um projeto que atacou a democracia para atacar direitos. O golpe não foi contra uma presidenta, foi contra um modelo de país que incluía trabalhadores, ampliava oportunidades e fortalecia o papel do Estado. O que veio depois foi a tentativa de naturalizar a retirada de direitos, enfraquecer sindicatos e convencer a população de que precarização era modernização”, afirmou.

Ao relacionar esse processo com os desafios atuais, Juvandia destacou que o país vive uma fase de reconstrução, mas alertou que as forças responsáveis pelos retrocessos continuam atuando e se reorganizando, especialmente por meio das redes sociais e das novas tecnologias de comunicação.

Segundo ela, a extrema direita transformou a desinformação em instrumento político permanente e encontrou nas plataformas digitais um poderoso mecanismo de disseminação do ódio, do negacionismo e dos ataques às instituições democráticas.

“Hoje a disputa não acontece apenas no local de trabalho ou no Congresso Nacional. Ela acontece nas telas dos celulares e nos algoritmos. Se não ocuparmos esses espaços com informação, formação política e organização coletiva, outros ocuparão com mentiras, preconceitos e ataques aos direitos da classe trabalhadora”, alertou.

A presidenta da Contraf-CUT também abordou as profundas mudanças promovidas pela revolução tecnológica e pela expansão das bigtechs no sistema financeiro. Para ela, a inovação não pode ser analisada apenas pela ótica da produtividade ou do lucro.

“A tecnologia é uma conquista da humanidade e pode melhorar a vida das pessoas. O problema é quando ela passa a ser utilizada para concentrar renda, eliminar empregos, transferir responsabilidades para os trabalhadores e enfraquecer direitos. O desafio do movimento sindical é garantir que a transformação tecnológica esteja a serviço da sociedade e não apenas dos interesses do mercado financeiro”, destacou.

Ao encerrar sua participação, Juvandia fez uma defesa enfática da participação política da categoria e da necessidade de fortalecer projetos comprometidos com os trabalhadores.

“Não existe defesa da Convenção Coletiva sem defesa da democracia. Não existe defesa dos empregos sem defesa dos bancos públicos. Não existe futuro para a categoria se o país voltar a ser governado por quem considera direitos trabalhistas um obstáculo e vê o Estado apenas como instrumento de privatização e concentração de riqueza. Defender a categoria é também defender um projeto de país comprometido com desenvolvimento, inclusão e soberania nacional.”

Direitos em mercadoria

Luiz Cláudio Marcolino deu sequência ao debate mostrando como a disputa política nacional se materializa nas escolhas feitas pelos governos estaduais e nos impactos concretos sentidos pela população.

Ao analisar o cenário paulista, o parlamentar denunciou o avanço de uma agenda imposta pelo governo de Tarcísio de Freitas, baseada na privatização de serviços públicos, na redução do papel do Estado e na transferência de estruturas estratégicas para a iniciativa privada.

“O que está em jogo não é apenas a venda de uma empresa pública ou a concessão de um serviço. O que está em disputa é a ideia de que direitos podem ser transformados em mercadoria. Quando o Estado abre mão de seu papel, quem perde é a população que depende dos serviços públicos, são os trabalhadores que perdem proteção e são as comunidades que deixam de ter acesso a políticas essenciais”, afirmou.

Ao trazer o debate para o setor financeiro, Marcolino denunciou a contradição entre os lucros recordes dos bancos e o contínuo fechamento de agências, redução de postos de trabalho e precarização do atendimento.

“Se o banco quer operar folha de pagamento, arrecadar tributos e movimentar recursos do Estado, ele precisa devolver algo para a sociedade. Não é aceitável utilizar dinheiro público para gerar lucro privado enquanto se fecham agências, se eliminam empregos e se dificulta o acesso da população aos serviços bancários. Quem recebe recursos públicos deve assumir compromissos públicos”, defendeu.

Marcolino também apresentou os resultados da CPI dos Golpes com Pix e Cartões, destacando que o avanço da digitalização trouxe novos desafios relacionados à segurança financeira da população.

Ao final da mesa, uma mensagem unificou as diferentes análises apresentadas: a defesa dos empregos bancários, dos serviços públicos, dos bancos públicos e da democracia faz parte da mesma luta.

“Os bancários sabem o que significa resistir. Resistimos às privatizações, resistimos às tentativas de retirada de direitos, resistimos aos ataques à democracia e continuaremos resistindo. Porque a luta da nossa categoria nunca foi apenas por salário. É uma luta por dignidade, por soberania, por justiça social e por um país que coloque a vida acima do lucro”, concluiu Marcolino.

A segunda mesa também contou com intervenções das forças políticas que compõem a Federação, reafirmando o caráter democrático, plural e combativo da Conferência Estadual, principal espaço de formulação política e construção das estratégias da categoria bancária paulista.

Acompanhe a cobertura completa da 28ª Conferência Estadual dos Bancários e Bancárias da FETEC-CUT/SP pelo site e redes sociais da @fetecsp

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