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Vitória dos trabalhadores! Senado aprova isenção de IR até R$ 5 mil. Bancários serão beneficiados

”Essa conquista é coletiva, resultado da organização, da mobilização e da resistência de milhões de trabalhadores e trabalhadoras que acreditam que um outro Brasil é possível”, disse Aline Molina, presidenta da FETEC-CUT/SP

O Senado aprovou por unanimidade, nesta quarta-feira (5), o projeto do governo Lula (PL 1.087/2025) que isenta do Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil e concede descontos progressivos para rendas de até R$ 7.350.


A proposta, que segue para sanção presidencial e deve entrar em vigor em 2026, beneficiará diretamente mais de 15 milhões de brasileiros. Dez milhões deixarão de pagar o imposto e outros 5 milhões terão redução no valor descontado.

”Essa conquista é coletiva, resultado da organização, da mobilização e da resistência de milhões de trabalhadores e trabalhadoras que acreditam que um outro Brasil é possível. Os sindicatos de bancários da base da FETEC têm sido exemplo de força e articulação nessa jornada por justiça social’, disse Aline Molina, presidenta da FETEC-CUT/SP. 

”É fundamental avançar na taxação dos super-ricos e das grandes fortunas, para que a justiça tributária finalmente saia do papel e se torne realidade. Só assim poderemos começar a corrigir as distorções históricas que alimentam a desigualdade no nosso país”, conclui Aline.

 

Bancários beneficiados
Boa parte dos bancários e bancárias será beneficiada pelo projeto. Segundo cálculos do Dieese, 30% da categoria ficará isenta ou terá uma mordida menor do “leão”. Isso significa que cerca de 54,3 mil bancários se beneficiarão, sendo a maioria composta por mulheres (54%).

“A aprovação da proposta do governo Lula no Senado, que já havia sido aprovada na Câmara, é uma vitória histórica dos bancários e de toda a classe trabalhadora. Representa um marco na luta por justiça tributária, por um sistema no qual os trabalhadores paguem menos e os super-ricos passem de fato a pagar impostos neste país. Luta esta da qual nosso sindicato e todo movimento sindical bancário sempre foram protagonistas. Esse é um dia histórico para a construção de um país menos desigual, mais justo e com oportunidades para todos”, disse Neiva Ribeiro, presidenta do Seeb SP e uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários.

Justiça Tributária
O PL 1.087/2025 cria uma alíquota de até 10% para quem ganha mais de R$ 600 mil por ano, o equivalente a R$ 50 mil mensais. Entram nessa conta (de mais R$ 600 mil por ano) salário, renda com aluguéis, dividendos e outros rendimentos (não entram na soma herança e venda de bens).

Quem tem apenas o salário como fonte de renda não será afetado pela nova regra, que irá impactar apenas 141,4 mil pessoas, que correspondem a 0,06% da população brasileira e 0,13% de todos os contribuintes do país.

Bandeira de luta da nossa base

A defesa de um sistema tributário justo e progressivo, em que os super-ricos paguem mais e quem ganha menos pague menos, é uma bandeira histórica de luta dos sindicatos da base da FETEC-CUT/SP.

Em 18 de janeiro de 2023, quando o governo Lula ainda não completava um mês, o presidente se reuniu com mais de 600 lideranças sindicais no Palácio do Planalto, entre elas a presidenta do Seeb SP, Neiva Ribeiro, e anunciou uma série de medidas voltadas à classe trabalhadora. Entre essas medidas estava a proposta de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até cinco mil reais, agora transformada em realidade com a aprovação no Senado.

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Desde então, os sindicatos da base da Contraf-CUT e da FETEC-CUT/SP estiveram nas ruas, nos locais de trabalho, nas redes e no parlamento defendendo a importância da aprovação da proposta, enviada formalmente ao Congresso em 18 de março deste ano, como forma de promover justiça tributária.

Reivindicação esta que consta na Pauta da Classe Trabalhadora, entregue em 29 de abril deste ano, na Marcha da Classe Trabalhadora, ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva; aos presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), do STF (Supremo Tribunal Federal), Luís Roberto Barroso, e do TST (Tribunal Superior do Trabalho), Aloysio Corrêa da Veiga.

Taxação das altas rendas

Para equilibrar a perda de arrecadação com a isenção do Imposto de Renda para trabalhadores, o projeto amplia a tributação sobre altas rendas, atingindo quem recebe acima de 600 mil reais por ano, com alíquota máxima de 10% sobre dividendos e rendimentos. A proposta segue o princípio de que quem tem menos paga menos e quem tem mais paga mais.

Os investimentos do mercado imobiliário e do agronegócio permanecem isentos. Outros temas, como novas regras para profissionais liberais e envio de lucros ao exterior, serão discutidos no PL 5.473/2025, que também prevê aumento da CSLL de instituições financeiras e elevação do imposto sobre apostas esportivas de 12% para 24%.

fontes: Seeb SP e Contraf-CUT

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