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Solenidade marca início das comemorações do centenário do Sindicato de SP

No último domingo, 16 de abril, o Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região completou 100 anos de uma história de luta em defesa dos direitos da categoria bancária, da classe trabalhadora como um todo e da democracia. 

Para marcar a data e iniciar as comemorações do centenário do Sindicato (veja a programação no final da matéria) foi realizada uma solenidade que reuniu a atual diretoria executiva; dirigentes; ex-presidentes da entidade; funcionários; representantes de movimentos sociais; da Fenaban; dos bancos; e autoridades públicas. 

A solenidade foi uma grande celebração da memória do Sindicato, que se mistura com a história do país, e das pessoas que marcaram estes 100 anos de luta por direitos e democracia. 

Foi realizada uma emocionante homenagem à atual presidenta do Sindicato, Ivone Silva, primeira mulher negra a presidir a entidade; e aos ex-presidentes: Augusto Campos, Luiz Gushiken, Gilmar Carneiro, Ricardo Berzoini, João Vaccari Neto, Luiz Claudio Marcolino e Juvandia Moreira. Também foram homenageadas as mulheres que fazem parte hoje e que já passaram pela executiva do Sindicato.   

Após a execução do hino nacional, que marcou o início da solenidade, discursaram a atual presidenta da entidade, Ivone Silva; a ex-presidenta do Sindicato e atual presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira; o também ex-presidente do Sindicato, João Vaccari Neto; e a atual secretária-geral, Neiva Ribeiro. 

A presidenta do Sindicato, Ivone Silva, abriu o seu discurso homenageando a categoria e puxou uma salva de palmas para cada bancário e bancária de São Paulo, Osasco e Região. 

Na sua fala, Ivone lembrou o início da entidade, em 1923, então Associação dos Funcionários de Bancos do Estado de São Paulo, pioneira no Brasil; abordou a trajetória de lutas e conquistas, que culminou em uma Convenção Coletiva nacional e unificada, válida para bancários de todo o país, de bancos públicos e privados, com dezenas de direitos; e lembrou de todos os desafios enfrentados e superados com luta pela entidade, desde o Estado Novo, passando pela ditadura militar, governos neoliberais, o golpe contra a ex-presidenta Dilma Rousseff, até o governo de Jair Bolsonaro, o pior que a democracia brasileira já produziu, e a pandemia de Covid-19. 

“Mas nós vencemos. Conseguimos avançar em direitos e preservar o Sindicato. Vencemos porque fomos capazes de proteger aquilo que é mais precioso: as nossas vidas. Que foram ameaçadas de tantas formas que chega a parecer ser por acaso estarmos aqui hoje. Mas não é. O Sindicato é, e precisa ser, a melhor expressão possível da soma dos nossos interesses mais humanos”

Ivone Silva, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região
“A palavra que explica tudo é confiança. Como diria Emicida, ‘tudo o que nós tem, é nós’. Tudo isso só é possível porque existe uma categoria bancária que não desiste. Essa é a razão maior da nossa existência. Esse é um discurso de homenagem aos bancários e bancárias que, trabalhando pelas suas sobrevivências, construíram um sindicato, uma história e um país. E venceram”, concluiu a presidenta. 

Por sua vez, a ex-presidenta do Sindicato e presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira, discorreu sobre a importância das mulheres na história da entidade e sobre como diversas lideranças femininas foram protagonistas das conquistas da categoria bancária e da classe trabalhadora como um todo.

“Trazer as mulheres e suas lutas para o centro do debate sindical foi um dos maiores acertos dos cem anos do Sindicato dos Bancários e das Bancárias de São Paulo, Osasco e Região. E não estou falando apenas das importantes conquistas da ampliação da licença maternidade, auxílio creche e babá e o combate à violência contra a mulher, ou da cláusula sobre igualdade de oportunidades. Eu estou falando de como a luta das mulheres bancárias transformou a história do Sindicato, nos deu vez e voz e nos fez capazes de enfrentar momentos de dificuldade extrema em nossa história recente.”

Juvandia Moreira, presidenta da Contraf-CUT
Ao concluir o seu discurso, Juvandia afirmou que o Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo é um exemplo de que a luta pela superação do machismo na sociedade brasileira é possível e necessária.

“Lutamos por um mundo em que não exista mais violência e desigualdade contra as mulheres, a gente não quer mais explicar por que isso é tão importante, porque já chegou a hora dos homens entenderem, apoiarem e construírem essa luta conosco. O machismo existe, está dentro de todos e de todas nós. E precisamos superá-lo. O Sindicato é o exemplo de que essa luta é possível. Lutaremos. A dignidade da classe trabalhadora depende disso. O Brasil precisa desse passo. Viva a diversidade, viva a igualdade de gênero, viva as bancárias, viva as mulheres brasileiras”, concluiu a presidenta da Contraf-CUT.

Ex-presidentes

Em nome dos ex-presidentes do Sindicato, João Vaccari Neto falou sobre a história de lutas e conquistas dos bancários nestes cem anos da entidade. Acompanharam Vaccari no palco os ex-presidentes Ricardo Berzoini, Luiz Cláudio Marcolino e Juvandia Moreira.

Vaccari emocionou a todos ao lembrar dos companheiros e ex-presidentes do Sindicato já falecidos, Luiz Gushiken e Augusto Campos, este último representado na solenidade por sua eterna companheira e ex-diretora do Sindicato, Lúcia Mathias.

Que venha o futuro, que venham mais 100 anos de lutas e vitórias!
Encerrando os discursos da solenidade do centenário, aatual secretária-geral da entidade, Neiva Ribeiro, falou sobre os desafios da entidade para o futuro e o papel do Sindicato diante das transformações da sociedade, especialmente nas relações de trabalho. 

“Não dá para pensar na categoria bancária, por exemplo, sem dialogar com todo o ramo financeiro. Esse é um grande desafio para nós daqui para frente. Os bancos criam estratégias para a redução de custos. O barateamento da mão-de-obra é, necessariamente, precarização do trabalho. Há trabalhadores em diversos segmentos do ramo financeiro e, até mesmo, fora do mercado de trabalho formal. Com jornadas de trabalho superiores, com menores remunerações e garantias laborais inferiores. Estes trabalhadores, que não possuem os direitos da CCT dos bancários, estão inseridos na cadeia de valor dos grandes bancos e são também responsáveis pela geração de riqueza para os conglomerados financeiros. Precisamos voltar a pensar em um sistema financeiro que não tenha como único objetivo dar lucro para seus acionistas. É preciso redução de juros e crédito sustentável e barato, que inclua as pessoas que precisam ser bancarizadas, que atenda as peculiaridades regionais e geracionais do país, que ajude a desenvolver áreas prioritárias como habitação, agricultura e educação, que ajude a economia a retomar o crescimento e gerar empregos, que destine recursos para projetos de infraestrutura no país”, pontuou Neiva. 

Neiva Ribeiro, secretária-geral do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região
A secretária-geral do Sindicato destacou ainda que a tecnologia deve beneficiar também os trabalhadores. 

“Sabemos que a tecnologia amplia ainda mais a intensidade do trabalho.  Se ela permite maximização de lucros e rentabilidade para banqueiros, deve da mesma forma beneficiar trabalhadores. Não somente de forma financeira. Nossa vida é o nosso maior bem. Por esta razão, estamos cada vez mais atentos às questões da saúde mental e nos debates que envolvem a vida social dos trabalhadores fora dos locais do trabalho. Neste sentido, já está na nossa pauta reivindicatória jornada de 4 dias na semana sem redução de salários. Reivindicamos mais tempo livre de ser. Mais tempo para que possamos ter uma vida mais plena”, concluiu Neiva. 

Leia o discurso da secretária-geral do Sindicato, Neiva Ribeiro, na íntegra
Programação do centenário do Sindicato
A solenidade do último domingo, que marcou o aniversário de 100 anos do Sindicato, foi apenas o início da programação especial preparada para o centenário da entidade. 

No dia 24 de abril será realizada uma homenagem – por iniciativa do deputado estadual e ex-presidente do Sindicato, Luiz Claudio Marcolino – na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Também será realizada uma homenagem na Câmara dos Deputados, por iniciativa da deputada federal Juliana Cardoso, com data ainda a ser definida.  

Já no dia 28 de abril é o momento de festejar. Nesta data, a partir das 18h, toda a categoria e parceiros estão convidados para uma grande festa, na Quadra dos Bancários, em comemoração pelos 100 anos do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região.

Além destes eventos, em breve será lançado um site especial dedicado à memória do Sindicato, da categoria bancária, da luta em defesa da classe trabalhadora e da democracia, e também dos personagens que fizeram parte deste um século de história.

Outra novidade deste centenário é a atualização da área de história do site do Sindicato, que traz em detalhes os desafios e conquistas da entidade nos últimos 10 anos, que se misturam com a história do país; além dos fatos que marcaram cada uma das décadas anteriores desta trajetória centenária em defesa dos direitos e da democracia. 

 

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