Ao reduzir sua presença física nos municípios, bancos deixam população idosa mais vulnerável a golpes, fraudes e situações de constrangimento, além de dificultarem o acesso a serviços essenciais
O mês de junho marca a campanha Junho Violeta, dedicada à conscientização e ao combate à violência contra a pessoa idosa. Entre as diversas formas de violência que atingem essa parcela da população, uma delas tem avançado silenciosamente em todo o país: a exclusão bancária provocada pelo fechamento de agências e pela substituição do atendimento presencial por canais digitais.
Nos últimos anos, os bancos intensificaram uma estratégia baseada na redução de custos e na digitalização dos serviços. Agências foram fechadas, postos de trabalho eliminados e o atendimento humano substituído por aplicativos, centrais automatizadas e chatbots. O problema é que a realidade de milhões de brasileiros, especialmente dos idosos, não acompanha essa transformação na mesma velocidade.
Tecnologia pode facilitar serviços, mas não substitui o atendimento humano nem garante acesso para toda a população
Muitos idosos enfrentam dificuldades para utilizar ferramentas digitais, não possuem acesso adequado à internet ou dependem do atendimento presencial para realizar operações financeiras com segurança. Ao reduzir sua presença física nos municípios, os bancos deixam essa população mais vulnerável a golpes, fraudes e situações de constrangimento, além de dificultarem o acesso a serviços essenciais.
Os números demonstram a gravidade do problema. Desde 2025, o Brasil perdeu 1.603 agências bancárias. Somente no estado de São Paulo foram registrados 644 fechamentos no último ano. Como consequência, 2.649 municípios brasileiros já não possuem sequer uma agência bancária, obrigando moradores a se deslocarem para outras cidades ou a depender exclusivamente dos canais digitais.
Para a secretária-geral da Fetec-CUT/SP, Ana Lúcia Ramos Pinto, o avanço da exclusão bancária representa também uma forma de violência social contra a população idosa.
“Estamos diante de um processo de exclusão silencioso. Milhares de pessoas são empurradas para um modelo de atendimento que não considera suas limitações, suas necessidades e seu direito de serem atendidas com respeito. Não se trata de uma necessidade econômica dos bancos, mas de uma escolha política. Quem lucra bilhões tem obrigação social de servir à população”.
Diante desse cenário, a Fetec-CUT/SP e os Sindicatos dos Bancários filiados mantêm a campanha “Eu Quero Mais Agências”, iniciativa que denuncia o fechamento de unidades bancárias, a redução do atendimento presencial e os impactos dessa política sobre trabalhadores, aposentados, idosos, comerciantes e comunidades inteiras.
A campanha reforça que o acesso aos serviços bancários é um direito da população e que a presença física das agências continua sendo fundamental para garantir inclusão financeira, atendimento humanizado, segurança e desenvolvimento local.
Neste Junho Violeta, a luta contra a violência à pessoa idosa também passa pela defesa do acesso aos serviços bancários. Por isso, a Fetec-CUT/SP convida toda a sociedade a fortalecer essa mobilização.
Participe do abaixo-assinado da campanha “Eu Quero Mais Agências” e ajude a defender um sistema bancário mais acessível, humano e inclusivo para todos.
Fonte: Fetec-CUT/SP


