Mobilização denunciou fechamento de agências, precarização do trabalho bancário e exclusão digital que afeta população idosa
Ao som do Baque Delas, grupo de maracatu formado por mulheres, os caminhos foram abertos para a chegada da Caravana da FETEC-CUT/SP, recebida pelo Sindicato dos Bancários de Jundiaí e Região na manhã desta quarta-feira (8), no centro histórico da cidade.
Agora sob direção majoritariamente feminina, o Sindicato encantou a população com a Caravana, levando música, cores e alegria às ruas, com palhaçaria, totem de fotos e o “Acerte o Alvo”, brincadeira que convidava o público a derrubar os banqueiros em uma piscina de bolinhas.
Fora do mundo lúdico, a Caravana faz os banqueiros caírem na real. Com o lançamento da Campanha Nacional dos Bancários 2026, a mobilização cobra melhores condições de trabalho, o fim das metas abusivas, a defesa do emprego e a saúde mental da categoria.
O fechamento de agências e a precarização do trabalho dominaram as falas dos dirigentes sindicais, que deram destaque à campanha “Eu Quero Mais Agências”, lançada pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo e abraçada pela FETEC-CUT/SP e por todos os sindicatos de sua base.
“No interior, o impacto do fechamento de agências é ainda mais evidente. Só no centro de Jundiaí havia 11 agências do Itaú; hoje restam apenas quatro. Isso afeta o comércio e a economia da cidade, porque as pessoas deixam de frequentar os centros comerciais quando perdem o atendimento bancário presencial”, afirmou Letícia Mariano, presidenta do Sindicato dos Bancários de Jundiaí e Região, destacando a força da Caravana como instrumento de mobilização e diálogo com a categoria e a sociedade.
A secretária-geral da FETEC-CUT/SP, Ana Lúcia Ramos Pinto, rebateu a ideia de que os bancários não querem trabalhar.
“Quem não quer que o banco funcione são os banqueiros, que não param de demitir e fechar agências!”, afirmou na abertura da atividade.
“Os banqueiros demitem trabalhadores e expulsam os clientes das agências ao impor o uso exclusivo dos canais digitais. Isso precariza as condições de trabalho, adoece a categoria e retira de milhares de pessoas, especialmente dos idosos, a possibilidade de um atendimento presencial e de qualidade’’, aponta Ana Lúcia.

Letícia Mariano e Ana Lúcia na abertura da Caravana
Aposentados reforçam defesa do atendimento presencial
Para reforçar como esse desmonte da rede de atendimento agrava a exclusão da população idosa, a Associação dos Aposentados de Jundiaí e Região participou da mobilização.
“Essa campanha é fundamental para a pessoa idosa. É uma população que cresce a cada ano, mas o sistema financeiro ignora essa geração e a empurra para o atendimento digital, muitas vezes expondo os aposentados a golpes. Para piorar a situação, Jundiaí está acumulando um histórico lamentável de fechamento de agências”, afirmou Fé Juncal, diretora da entidade.
Segundo ela, além da precarização do atendimento, que prejudica bancários e clientes, os bancos impõem uma verdadeira “ditadura digital”.
“Os bancos fazem muita propaganda sobre atendimento humanizado, mas isso já não existe. O sistema obriga o cliente a trabalhar para o banco por meio dos aplicativos. Quem não tem familiaridade com a tecnologia simplesmente é excluído e, muitas vezes, precisa viajar para outra cidade para conseguir atendimento presencial.”
Baque Delas, maracatu de mulheres em Jundiaí
Bancários contra o feminicídio

Durante toda a Caravana, a FETEC está distribuindo cartilhas aos sindicatos para que sejam compartilhadas com os dirigentes sindicais, ampliando o debate sobre o feminicídio e a violência contra a mulher.
O diretor administrativo da FETEC-CUT/SP e diretor do Sindicato dos Bancários de Jundiaí e Região, Roberto Rodrigues, também destacou a campanha “O Problema é Todo Nosso – Bancários contra o Feminicídio”, que convoca os homens a assumirem seu papel no enfrentamento à violência contra as mulheres.
“A categoria bancária sempre esteve na vanguarda das conquistas relacionadas à igualdade de gênero, mas ainda há muito a avançar. Esse avanço depende fundamentalmente dos homens. Somos nós que precisamos rever comportamentos, romper silêncios e enfrentar práticas que reproduzem violência e desigualdade. Quando dizemos que ‘o problema é todo nosso’, assumimos que essa luta não pertence apenas às mulheres. Os homens da FETEC estão dizendo que querem fazer parte da solução.”
Também participaram da Caravana em Jundiaí dirigentes dos sindicatos de Limeira e de Bragança Paulista.
Na próxima segunda-feira (13), a Caravana da FETEC-CUT/SP segue para Registro, no Vale do Ribeira.
Confira mais detalhes e imagens da mobilzação nas redes sociais da FETEC em @fetecsp




