Fruto das negociações entre o Comando Nacional e Fenaban, canais de acolhimento já estão presentes na maioria dos bancos, ampliando suporte e proteção
As negociações do Comando Nacional dos Bancários com a Fenaban têm resultado em avanços importantes para as trabalhadoras do setor, especialmente no âmbito da mesa de Igualdade de Oportunidades. Em março foram debatidos o combate à violência de gênero, metas de igualdade salarial e a inclusão de mulheres negras.
A secretária-geral da Fetec-CUT/SP, Ana Lúcia Ramos Pinto, que participa das mesas de negociação, destaca que a Fenaban apresentou, na ocasião, dados atualizados sobre os canais de atendimento voltados ao enfrentamento do assédio moral e sexual.
Os números evidenciam avanços concretos. De 44 bancos, 35 já implantaram canais específicos para acolhimento das trabalhadoras. Somente em 2025, foram registradas 823 denúncias.
Desde a criação desses canais, ao longo de 69 meses, 875 mulheres foram acolhidas, uma conquista construída na mesa de negociação. Nesse período, mais de três mil sessões de acolhimento foram realizadas, reforçando a efetividade e a importância desses mecanismos.
Entre os casos registrados, 83 trabalhadoras solicitaram realocação de local de trabalho como medida de proteção, e 79 desses pedidos já foram efetivados em 2025.

Para Ana Lúcia Ramos Pinto, os dados mostram a importância das negociações e da criação desses mecanismos.
“Os bancos avaliavam que a adesão seria limitada, mas os números mostram exatamente o contrário. Esses canais são fundamentais porque acolhem, orientam e dão resposta às trabalhadoras”, afirma.
A secretária-geral também ressalta o impacto direto dessas iniciativas na vida das bancárias.
“A criação dos canais revelou uma realidade que antes não aparecia. Hoje, as trabalhadoras têm acesso a apoio, inclusive com possibilidade de atendimento médico pelos bancos. Fazer com que a Fenaban entrasse nessa pauta foi um passo excepcional e representa um avanço enorme para as mulheres”, conclui.
Basta!
Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, destaca que a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria bancária é pioneira ao regulamentar a implantação de canais de denúncia voltados aos trabalhadores, reconhecendo esses instrumentos como mecanismos fundamentais de prevenção às violências e discriminações no ambiente de trabalho.
Criado em 2019 pelo Seeb SP, o Projeto Basta! Não irão nos calar! oferece assessoria jurídica especializada a bancárias vítimas de violência doméstica, com apoio em medidas protetivas, divórcios e disputas de guarda. A iniciativa reafirma o compromisso da entidade no enfrentamento da violência contra a mulher também fora do ambiente de trabalho.
Atualmente, são 14 canais de acolhimento e assistência jurídica distribuídos nas cinco regiões do país, atendendo 485 cidades. Desde 2019, o projeto já acolheu 531 pessoas, sendo 529 mulheres. Os dados evidenciam a gravidade da situação: em todos os atendimentos, foram identificadas ao menos duas formas de violência, entre física, psicológica, patrimonial, moral ou sexual.
Outro destaque é o programa Mais Mulheres na TI, uma parceria entre Contraf, Contec e Febraban, que oferece mais de 3 mil bolsas integrais para formação introdutória em tecnologia, contribuindo para ampliar a igualdade de oportunidades no setor.
Fernanda Lopes, secretária da Mulher da Contraf-CUT afirma que a conquista das bolsas para mulheres em TI é resultado de uma construção histórica na mesa de Igualdade de Oportunidades, criada há 26 anos.
Ela destaca que a iniciativa busca corrigir a predominância masculina no setor e ampliar o acesso feminino ao mercado. Desde 2025, a procura pelas bolsas supera em quase 300% as vagas, evidenciando uma demanda reprimida de mulheres interessadas em atuar na tecnologia.
Com informações da Contraf-CUT e Seeb SP
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