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Alesp vira palco de denúncia contra o Santander

Em audiência pública promovida pela FETEC-CUT/SP, movimento sindical acusa banco de terceirização fraudulenta e precarização extrema do trabalho

A Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) sediou, na manhã desta segunda-feira (16), uma audiência pública que denunciou as práticas nocivas do Santander, acusado de fechar agências, promover demissões em massa e adotar terceirizações fraudulentas que aprofundam a precarização das relações de trabalho.

A iniciativa é da FETEC-CUT/SP, em parceria com o mandato do deputado Luiz Claudio Marcolino (PT), Contraf-CUT, Afubesp e CUT-SP. O auditório Teotônio Vilela ficou pequeno diante da mobilização de bancários e lideranças sindicais contrários aos ataques do banco espanhol no Brasil.

Luiz Claudio Marcolino abriu a audiência denunciando o Santander pelas demissões em massa, fechamento de unidades e terceirização desenfreada.  “O banco criou uma fraude trabalhista que retira direitos, adoece os trabalhadores e impõe metas abusivas”, afirmou o deputado. 

A presidenta da FETEC-CUT/SP, Aline Molina, destacou que as audiências públicas têm como objetivo dar visibilidade aos ataques do Santander não apenas aos trabalhadores, mas também à população e ao Brasil.

“Estamos aqui para denunciar uma fraude trabalhista que faz parte de um ataque sistêmico. Não é só o Santander, é todo o sistema rentista brasileiro, que quer Estado máximo para eles e Estado mínimo para o povo”, afirmou.

Segundo ela, o Santander abriu caminho para uma precarização extrema, criando um modelo que tende a ser replicado nos outros bancos. “Agora eles querem contratar o trabalhador por hora, pagar abaixo do salário mínimo e ainda defendem o congelamento do salário mínimo por cinco anos’’. 

Fragmentados

Aline Molina, que também participou da audiência pública realizada na Câmara Legislativa do Distrito Federal, em Brasília, no dia 19 de maio, por iniciativa do deputado distrital Chico Vigilante (PT), destaca que, além de fechar agências físicas, desde 2021 o Santander vem transferindo bancários para outras empresas do próprio conglomerado, como F1RST, SX Tools, Prospera e SX Negócios, todas com CNPJs distintos.

“O banco fragmenta a categoria bancária e exclui esses trabalhadores dos acordos coletivos e dos direitos historicamente conquistados”.

Aline também ressaltou que o sistema financeiro e os bilionários brasileiros lideraram a reforma trabalhista, que cortou direitos e enfraqueceu os sindicatos.

“Os bancários ainda resistem, mas outras categorias já assistem ao desaparecimento de direitos históricos”, afirmou. “Estamos lutando para existir. Querem destruir nossa categoria e precarizar todo o sistema financeiro. A luta será longa, mas estamos prontos para enfrentá-la.”

Ataque ao Brasil e aos brasileiros

Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, afirmou que o movimento sindical definiu uma série de ações para denunciar as terceirizações fraudulentas do Santander e pressionar o banco a rever sua postura. “Essa política do Santander é prejudicial não apenas aos trabalhadores, mas ao país e a todo o sistema financeiro”, destacou. Neiva também informou que outras audiências públicas estão previstas para reforçar essa mobilização.

Wanessa de Queiroz, coordenadora da COE Santander, lembrou que o banco já extinguiu mais de 18 mil postos de trabalho, com a maioria das demissões atingindo mulheres. “É fundamental que toda a sociedade brasileira denuncie os impactos econômicos do fechamento de agências e a negligência no atendimento à população. O Santander só opera no país graças a uma concessão pública, e seu papel principal deveria ser contribuir para o desenvolvimento econômico e social de toda a população brasileira”, afirmou.

Rita Berlofa, diretora de Relações Internacionais da Contraf-CUT, comparou a atuação do Santander à exploração colonial espanhola, que saqueou riquezas e deixou um legado de escravidão e morte. “Guardadas as proporções históricas, o banco tem uma concessão pública e só pensa em cortar custos para ampliar lucros que não ficam no Brasil, vão para a Espanha. O rastro é de demissões, fechamento de agências e práticas antissindicais inéditas. Se não rompermos essa sangria, não há garantia de que outros bancos não seguirão o mesmo caminho.”

Deliberações

O deputado Luiz Claudio Marcolino destacou que os próximos passos incluem a realização de audiências públicas nos municípios, a mobilização por meio de abaixo-assinados para garantir a manutenção das agências nas cidades e defesa da preservação das agências pioneiras, além de ações jurídicas para questionar a situação tributária do Santander no Estado de São Paulo.

Participaram da audiência pública delegações dos sindicatos dos bancários do ABC, Araraquara, Catanduva, Limeira, Jundiaí, Bragança Paulista, São Paulo, Taubaté, Mogi das Cruzes, Presidente Prudente e Guarulhos.

Confira mais vídeos e fotos da Audiência Pública nas redes da FETEC-CUT/SP em @fetecsp.   

 

fonte: FETEC-CUT/SP

 

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