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Fechamento de agências e terceirização fraudulenta pelo Santander são temas de audiência pública em Brasília

“Só no estado de São Paulo, nos últimos cinco anos, o número de trabalhadores bancários foi reduzido em cerca de 50%, o que corresponde a mais de 18 mil postos de trabalho perdidos”, destacou Aline Molina, presidenta da FETEC SP

Nesta segunda-feira, 19 de maio, foi realizada audiência pública na Câmara Legislativa do Distrito Federal, em Brasília, por iniciativa do deputado distrital Chico Vigilante (PT), na qual foi debatido o fechamento de agências e a terceirização fraudulenta de postos de trabalho bancários pelo Santander (veja a íntegra da audiência no vídeo acima).

Além de fechar agências físicas, desde 2021 o Santander vem transferindo bancários para outras empresas do conglomerado, como a F1RST, SX Tools, Prospera, SX Negócios, entre outras. Todas com CNPJs diferentes. Com isto, o banco está fragmentando a categoria bancária e excluindo esses trabalhadores dos acordos coletivos e direitos conquistados.

Fechamento de agências

Representando o Sindicato na audiência, a secretária de Formação da entidade e presidenta da Fetec-CUT/SP, Aline Molina, iniciou a sua fala criticando o processo de fechamento de agências, que prejudica não só trabalhadores bancários, mas toda a população.

Aline Molina em audiência pública na Câmara Legislativa do Distrito Federal (Reprodução)

“No Brasil, por um lado, temos pessoas muito ricas, com acesso ao que existe de mais avançado em tecnologia. É para essas pessoas que os bancos estão trabalhando. Por outro lado, temos pessoas que não possuem acesso a uma agência bancária (…) Estamos falando de bancos que querem virar agências de negócios, um shopping, um café, para você ir lá e só fazer negócios, quando estamos falando de uma país no qual pessoas não conseguem sacar o salário mínimo em uma agência”, enfatizou a diretora do Sindicato.

 

Terceirização fraudulenta
A dirigente também abordou a redução de postos de trabalho bancários no país, e especificamente no estado de São Paulo, em decorrência da terceirização fraudulenta praticada pelo Santander.

“Entre 2019 e 2024, o Santander encerrou 10% das agências no país. Ao mesmo tempo, ampliou o número de correpondentes bancários em mais de 63%. Hoje, o Santander conta com 3,9 mil pontos de atendimento e impressionantes 41,5 mil correspondentes bancários. São 41,5 mil trabalhadores que estão sem os direitos dos bancários. É nesse sentido que dizemos que essa terceirização é fraudulenta. Eles não estão fazendo outra coisa que não o mesmo trabalho que faziam antes, com menos direitos e menos salários”, relatou Aline.

“No estado de São Paulo, nos últimos cinco anos, o número de trabalhadores bancários foi reduzido em cerca de 50%, o que corresponde a mais de 18 mil postos de trabalho perdidos. “, completou.

Por fim, a diretora do Sindicato alertou para a importância da categoria bancária e da classe trabalhadora como um todo se unir contra este processo de terceirização praticado pelo Santander.

“O que viemos denunciar aqui é essa terceirização fraudulenta, que consiste simplesmente na transferência de trabalhadores da estrutura do banco para empresas coligadas do próprio Santander (…) Precisamos nos organizar e lutar contra isso. Se não, não vai ter fim. Cada vez mais teremos trabalho precarizado. Nosso filhos e netos só terão empregos precarizados. Temos de mostrar para o povo brasileiro a importância do trabalho digno”, concluiu Aline Molina.

Confira na íntegra a fala de Aline Molina na Audiência Pública

 

FONTE: SEEB-SP

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