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Sob Bolsonaro, BNDES financia fazendeiros criminosos com dinheiro público

No governo de Bolsonaro o desmatamento é sempre bem-vindo, com artimanhas sem limites para impulsionar a destruição ambiental no país. A novidade de agora é utilizar um banco público, que era para estimular o desenvolvimento econômico e social brasileiro, para financiar fazendeiros criminosos e desmatadores.

Mesmo com terras embargadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Bolsonaro liberou o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para emprestar, com dinheiro público, R$ 28,6 milhões para a compra de maquinário agrícola.

O projeto de extermínio da Amazônia é operado pelo banco John Deere, que pertence à maior montadora de máquinas agrícolas do mundo. O financiamento foi liberado para cinco produtores com embargos por desmatamento, emitidos pelo Ibama.

O secretário Nacional de Meio Ambiente e Desenvolvimento do Partido dos Trabalhadores (PT), Penildon Silva, alerta sobre a estratégia de destruição do governo Bolsonaro de todo o aparato estatal, que era utilizado para fiscalizar, coibir e multar crimes ambientais, e agora estimula criminosos a avançarem nas florestas e outros biomas brasileiros. Outro ponto destacado por Penildon é que o caráter do governo bolsonarista vai levar o Brasil ao isolamento no plano internacional, diante de tantos retrocessos ambientais.

“É escandaloso, pois o BNDES foi desativado como banco desenvolvimento social e econômico e agora serve para poder financiar a destruição da Amazônia. É preciso que o Congresso Nacional e o Tribunal de Contas investiguem bem, pois o financiamento é para uma atividade que é ilegal”.

O descaso com a lei e a distribuição de benesses com o dinheiro público, que deveria estar financiando pequenos produtores e a agricultura familiar, não param. Além dos quase R$ 29 milhões distribuídos a embargados pelo Ibama, outros R$ 39,7 milhões foram emprestados a 11 fazendeiros, todos multados por desobediência aos códigos ambientais num total de R$ 31,4 milhões.

Estudos mostraram que a regra do Banco Central impedindo financiamento para terras embargadas na Amazônia protegeu, entre 2008 e 2011, cerca de 2.700 km², que deixaram de ser devastados. Mas, com a chegada ao poder do capitão reformado, as normas e as regras de proteção ao meio ambiente passaram a ser ignoradas. Isto permitiu que o segundo maior devedor de multas ambientais fosse aquinhoado com quase R$ 7 milhões e empréstimos, mesmo que ele tenha sido responsável pelo desmatamento de 2 mil hectares de vegetação nativa no Cerrado, incluindo área na Unidade de Conservação Parque das Nascentes do Rio Parnaíba, na divisa dos quatro estados que formam o Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), a nova fronteira agrícola brasileira e condenado a 2 anos de cadeia em 2020, pena que foi substituída por multas e prestação de serviços comunitários.

As máquinas agrícolas adquiridas no Brasil são, em sua grande maioria, 65%, custeadas pelo dinheiro público vindo do BNDES e a John Deree é a líder mundial no segmento, tendo no mercado brasileiro seu segundo maior comprador. O Banco John Deree, que opera os empréstimos concedidos pelo BNDES foi o terceiro em financiamentos pelo Plano Safra nos últimos 10 anos. Todo este domínio do mercado agrícola e toda a tecnologia presente nas máquinas da empresa (segundo Paulo Herrmann, presidente da marca no Brasil, é possível saber onde está um equipamento com precisão de 2 centímetros) não foram suficientes para que a empresa descobrisse que estava vendendo para fazendeiros com histórico de sonegadores e crimes ambientais.

Crédito rural proibido
O Banco Central do Brasil proíbe a concessão de crédito rural para propriedades na Amazônia que tenham embargos, mas não impõe restrições para que os donos dessas áreas obtenham empréstimos para outras fazendas. É aqui a brecha que Bolsonaro, não satisfeito com os 360 km2 desmatados da Amazônia somente em janeiro deste ano, precisou ter para continuar com a destruição da maior floresta tropical do mundo.

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