Pauta foi construída com base na Consulta Nacional que neste ano obteve respostas de 54.952 trabalhadores e trabalhadoras do ramo financeiro
A categoria bancária encerrou, neste domingo (21), sua 28ª Conferência Nacional, na capital paulista, com a aprovação da pauta de reivindicações a ser entregue à Fenaban (federação dos bancos) para o início das negociações da Campanha Nacional Unificada dos Bancários 2026.
Valorização da categoria, com aumento real nos salários, PLR, VA e VR e demais verbas; mais saúde para os trabalhadores, com o fim das metas abusivas e do assédio moral; por mais empregos bancários, mais agências físicas e pelo uso da tecnologia a serviço de todos e não apenas dos lucros; e mais qualidade de vida foram alguns dos principais eixos da pauta de reivindicações da categoria para sua Campanha Nacional.
“Saímos desta plenária revigorados, mais unidos e dispostos para seguir em frente na luta pela manutenção e avanço em direitos às bancárias e bancários de todo o país. A luta da categoria bancária é a luta de toda a classe trabalhadora. Quando nós avançamos, inspiramos toda a nossa classe a seguir avançando”, disse Juvandia Moreira, presidenta da Contraf-CUT, coordenadora do Comando.
Construída com base na Consulta Nacional à categoria – que este ano teve 54.952 respondentes, 64% a mais do que em 2025 e 17% a mais do que em 2024 –, e nos intensos debates ocorridos ao longo dos três dias da Conferência, que reuniu mais de 600 delegados e delegadas de todo o país, a pauta foi aprovada, por unanimidade, na plenária final do evento.
“Mais uma vez construímos nossa pauta de forma democrática, a partir das demandas e anseios da categoria e dos intensos debates na nossa Conferência Nacional. Nesses três dias discutimos questões fundamentais como a melhoria das condições de trabalho e de saúde nos bancos, uma das prioridades apontada pelos bancários na Consulta. Reforçamos ainda a luta por qualidade de vida, por mais tempo de lazer e com a família. E claro: a luta por valorização. Queremos remuneração digna, com aumento real nos salários, PLR, VA e VR”, destacou a presidenta do Sindicato, Neiva Ribeiro, tambémcoordenadora do Comando Nacional dos Bancários.
“Chegamos ao final desta Conferência após um amplo processo de construção coletiva, que envolveu conferências estaduais, encontros por bancos e a Consulta Nacional dos Bancários, buscando traduzir os anseios da categoria em uma pauta representativa e fortalecida. Este é um ano de muitos desafios para a categoria bancária e que vão além da defesa de direitos. Esse é um ano em que também temos que lutar em defesa da democracia e da soberania nacional”, disse Aline Molina, presidenta da FETEC-CUT/SP.
Para Aline, é fundamental que a categoria se engaje na luta por aumento real, ampliação de direitos e garantia de melhores condições de trabalho, mas nossa luta vai além das reivindicações corporativas.
”Estamos construindo uma campanha que também defende um Brasil que valoriza a classe trabalhadora, responsável por produzir a riqueza do país com seu trabalho. Nossa principal força é a organização e a unidade, algo vimos de fato nessa Conferência e que será decisivo para avançarmos em nossas conquistas e enfrentarmos os vários desafios que temos pela frente”.
Principais pontos da pauta aprovada
- 5% de aumento real para salários e demais verbas, como PLR, VA e VR;
- manutenção formato atual da PLR (percentual do salário mais parcela fixa e adicional);
- fim das metas abusivas, para melhorar as condições de trabalho e a saúde da categoria;
- manutenção da mesa única de negociação, da CCT para toda a categoria e dos direitos já conquistados;
- defesa do emprego bancário;
- defesa dos bancos públicos;
- distribuição melhor dos ganhos da tecnologia, e pelo fim do monitoramento excessivo no teletrabalho, preservando a privacidade do bancário.
Eixos de luta e mobilização
Além da pauta de reivindicações a ser negociada com a Fenaban, os delegados e delegadas da 28ª Conferência aprovaram também eixos de luta e mobilização para a Campanha e para os próximos meses. Veja quais foram:
- Por um sistema financeiro mais regulado;
- Importância das eleições de 2026 e do apoio de candidaturas comprometidas com a classe trabalhadora para presidente, governadores e, com especial atenção, para a Câmara dos Deputados e Senado;
- Segurança tecnológica para os clientes.
Os delegados e delegadas também aprovaram as resoluções:
- contra os ataques à democracia e soberania nacional,
- e contra a independência do Banco Central, que afasta a instituição do controle democrático, priorizando os interesses do setor financeiro em detrimento do desenvolvimento social.
Moções aprovadas
A Conferência também aprovou as seguintes moções:
- Em defesa da dignidade, da saúde e pela valorização das trabalhadoras e trabalhadores aposentados e idosos no setor bancário;
- Por uma dupla missão para o Banco Central do Brasil – Estabilidade de preços e proteção de emprego;
- De repúdio às práticas antissindicais, à precarização do trabalho e ao desmonte do atendimento pelo banco Santander;
- Manifesto de solidariedade ao povo bolivariano e a Cuba. Lutar contra o imperialismo.
Fonte: Seeb/SP, com edição de Fetec-CUT/SP


