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Executiva do Santander fala sobre diversidade e juros. Coordenadora da COE e dirigente da FETEC-SP destaca disparidade de gênero do banco no país

Em entrevista ao Valor Econômico, Samantha Ricciardi, CEO global do Santander Asset Manegement, nomeada em fevereiro, abordou temas como a missão da gestora de investimentos em auxiliar o Grupo Santander a se tornar o “banco dos investimentos”, a diversidade na empresa e nos seus cargos diretivos, além da alta taxa básica de juros praticada hoje no Brasil.

Diversidade
Ao abordar a questão da diversidade, a executiva afirmou que valoriza a presença das mulheres em cargos diretivos e que coloca em prática esforços para aumentar a presença feminina em cargos diretivos do Santander Asset Manegement. De acordo com Ricciardi, as mulheres ocupam 20% dos cargos diretivos da gestora de investimentos, apesar de representarem 40% da força de trabalho.

“Agora tenho muito foco em aumentar a diversidade na parte de cima da pirâmide. E, pelo menos em 2022, o que consegui é que 70% das incorporações seniores foram de mulheres”, disse a executiva.

Segundo Wanessa Queiroz, dirigente da Fetec/CUT-SP e coordenadora da COE Santander (Comissão de Organização dos Empregados do Santander), a disparidade de gênero em cargos diretivos também está presente na operação brasileira do Santander e exige medidas efetivas do banco espanhol no sentido de combatê-la.

“Apesar do banco estar tratando o tema da diversidade com ênfase no último período, aqui no Brasil as mulheres são 60% do quadro de funcionários, mas ainda não estão representadas em grandes diretorias no país, ocupando apenas a vice-presidência de Recursos Humanos.

É fundamental que o Santander implemente ações práticas para que seja viabilizada o desenvolvimento e ascensão na carreira por parte das mulheres, mas também para que ocupem os cargos executivos da instituição”, cobra Wanessa.

Juros
Sobre a alta taxa básica de juros (Selic) imposta pelo Banco Central no Brasil, Ricciardi afirma que as altas taxas de juros faz com que investidores mirem seus esforços em renda física, tanto por uma questão de aversão ao risco como pelo retorno oferecido com o pagamento da dívida pública com juros de 13,75%.

Mesmo pressionado, Banco Central insiste em manter Selic em 13,75%
“Apesar de estarmos preparados para portfólios diversificados, o apetite do cliente nos últimos 18 meses tem sido para a renda fixa, tanto pela aversão ao risco e pela volatilidade quanto pelo incrível retorno da taxa livre de risco com dívida soberana (…) Estou esperançosa de que, à medida que as taxas finalmente caiam, possamos voltar a conversar com clientes sobre diversificação”, avalia a CEO global do Santander Asset Manegement.

Para Wanessa Queiroz, a Selic no patamar atual favorece o investimento em renda fixa devido a atratividade do retorno com juros altos, mas trava o desenvolvimento social e econômico do país ao inviabilizar investimentos no setor produtivo.

Em frente ao Banco Central, bancários protestam pela queda dos juros

“A fala da CEO global do Santander Asset confirma o que nós, do movimento sindical bancário, argumentamos. Um investidor que está lucrando com juros de 13,75% com títulos da dívida pública não possui razões para aplicar recursos no setor produtivo ou mesmo para diversificar sua carteira de investimentos. Com isso, o desenvolvimento econômico e social do país fica prejudicado. É urgente que o Banco Central abdique da atual política monetária, reduzindo a taxa Selic, para que assim cumpra o seu papel de auxiliar no desenvolvimento e na geração de emprego e renda.

Por outro lado, o próprio Santander tem priorizado o seguimento de alta renda em detrimento das classes C, D e E. É necessário que o banco espanhol, como concessão pública que é, reveja essa postura e priorize também a concessão de crédito para uma parcela mais ampla da população e também para micro e pequenas empresas, colaborando com o país do qual retira a maior fatia do seu lucro global”.

Wanessa Queiroz, diretora na FETEC-CUT/SP, coordenadora da COE Santander 

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