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Copom ignora governo e economia, e mantém juros em 13,75% falando em ‘riscos e incertezas’

Decisão de manter juros mais elevados do mundo era esperada, apesar da pressão de governo, trabalhadores e empresários. Centrais repudiam decisão

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu nesta quarta-feira (22) manter em 13,75% ao ano a taxa básica de juros, a Selic, pelos próximos 42 dias. Foi a quinta manutenção seguida, no patamar mais alto dos seis últimos anos. A próxima reunião será em 2 e 3 de maio.

A decisão era esperada, apesar de toda a pressão nas últimas semanas, vinda do governo, de empresários e de movimentos sociais, no sentido de redução dos juros. Ontem (21), por exemplo, centrais sindicais e movimentos organizaram protestos pelo país para pressionar o BC e, em alguns casos, pedir a demissão de seu presidente, Roberto Campos Neto.

A decisão era esperada, apesar de toda a pressão nas últimas semanas, vinda do governo, de empresários e de movimentos sociais, no sentido de redução dos juros. Ontem (21), por exemplo, centrais sindicais e movimentos organizaram protestos pelo país para pressionar o BC e, em alguns casos, pedir a demissão de seu presidente, Roberto Campos Neto.

“Desserviço à nação”
Hoje mesmo, por exemplo, durante café da manhã com jornalistas, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, voltou a criticar o responsável pela política monetária. “O que o presidente do BC está fazendo é um desserviço à nação”, afirmou, referindo-se à taxa de juros. Ele disse ainda que o Copom não precisa conhecer detalhes das novas regras fiscais, ainda em discussão, para iniciar um processo de redução da Selic.

Além disso, montadores deram férias coletivas em parte de suas linhas de produção. Depois da Volkswagen, em fevereiro, General Motors, Hyundai e Stellantis (dona das marcas Fiat, Peugeot e Citröen) anunciaram paradas neste mês e no próximo. Ontem, foi a vez da Mercedes-Benz. O motivo alegado é a baixa atividade do mercado, especialmente em razão da taxa de juros elevada.

No comunicado divulgado logo após o encerramento da reunião, o Copom afirmou que houve deterioração do ambiente externo. “Os episódios envolvendo bancos nos EUA e na Europa elevaram a incerteza e a volatilidade dos mercados e requerem monitoramento”, diz o colegiado.

Internamente, prossegue o comitê, a atividade econômica mostra desaceleração, enquanto a inflação segue acima do “intervalo compatível” para cumprimento das metas. Ao apontar cenário de riscos, o Copom fala em “incerteza sobre o arcabouço fiscal e seus impactos sobre as expectativas para a trajetória da dívida pública”. Com isso, sem fazer sinalização, o órgão do BC afirma que seguirá “vigilante”.

Prêmio aos rentistas
Quando a Selic foi a 13,75%, em agosto do ano passado, a inflação oficial (IPCA-IBGE) estava em 8,73% em 12 meses. Pelo último dado, referente a janeiro, está em 5,60%. Assim, com a atual taxa básica o juro real (acima da inflação) está acima de 8%.

Imediatamente após o anúncio, o presidente da Força Sindical, Miguel Torres, divulgou nota lamentando a decisão. “Tragicamente, também em nosso país estamos reféns dos poderosíssimos interesses dos rentistas”, afirmou. Para ele, a manutenção da Selic em 13,75% é prêmio aos especuladores e extorsão aos brasileiros e ao setor produtivo.

A executiva da CUT também divulgou nota para criticar. “A decisão também revela o quanto é ruim para o país um Banco Central, que se declara autônomo, mas se encontra nas mãos de rentistas, especialmente quando têm compromissos com forças políticas contrárias ao povo e ao governo federal. A ausência de sintonia do BC com o esforço de retomada do crescimento econômico do governo democrático e popular prejudica o país e seu povo”, afirmou a central.
Ainda hoje, nos Estados Unidos, o Federal Reserve (equivalente ao BC) aumentou os juros em 0,25 ponto percentual. Foi a nona alta seguida. Agora, o intervalo vai de 4,75% a 5% ao ano. No entanto, ainda fica abaixo da inflação norte-americana em 12 meses, que estava em 6,4% em janeiro
Fonte RBA

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