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28a Conferência da FETEC-CUT/SP começa com chamado à mobilização em defesa da democracia, dos direitos e da soberania nacional

Evento reúne bancários de todo o estado de São Paulo para definir prioridades da categoria e estratégias de luta para os próximos anos.

Em um cenário marcado pela disputa de projetos para o país, pelos desafios da Campanha Nacional dos Bancários e pela necessidade de ampliar a representação da classe trabalhadora nos espaços de poder, a FETEC-CUT/SP abriu neste sábado (13) sua 28ª Conferência Estadual dos Bancários e Bancárias com uma mensagem clara: é hora de fortalecer a organização sindical, defender a democracia e ampliar a luta para além dos locais de trabalho.

Realizada no histórico Circolo Italiano, na capital paulista, a Conferência reúne delegados e delegadas dos 14 sindicatos que compõem a base da Federação para debater as prioridades da categoria e construir estratégias para os próximos anos.

A abertura, realizada pela secretária-geral da FETEC, Ana Lúcia Ramos, foi marcada pela exibição de um vídeo retrospectivo das principais ações realizadas pela federação e pelos sindicatos filiados, resgatando mobilizações, conquistas e momentos de 2025 e 2026 que reafirmam o papel do movimento sindical na defesa dos direitos da categoria e da classe trabalhadora.

Ao dar início aos trabalhos, a presidenta da entidade, Aline Molina, destacou a importância do encontro em um momento decisivo para os trabalhadores e trabalhadoras.

“Estamos diante de um ano que exige organização, consciência política e mobilização. Temos desafios na Campanha Nacional, mas também temos a responsabilidade de mudar os rumos do país e defender um projeto que coloque a classe trabalhadora no centro das decisões. É isso que esta Conferência representa”, afirmou.

Organização sindical e participação política

Representando os sindicatos do interior, a presidenta ecém eleita do Sindicato dos Bancários de Jundiaí e região, Letícia Mariano, primeira mulher a presidir a entidade, ressaltou a necessidade de ampliar a presença das mulheres nos espaços de direção e poder, tanto na sociedade quanto no movimento sindical.

Ela destaca  que a luta por igualdade de gênero continua sendo um dos desafios centrais da classe trabalhadora e destacou a importância de construir uma representação cada vez mais diversa e democrática.

“Os tempos são difíceis, mas nossa categoria tem história, organização e capacidade de luta. Precisamos construir uma campanha vitoriosa, mas também compreender que a transformação que queremos depende da eleição de representantes comprometidos com os trabalhadores e trabalhadoras”, destacou.

Enfrentamento à extrema direita

Em uma das falas mais contundentes da abertura, o presidente da CUT São Paulo, Raimundo Suzart, reforçou a importância da organização popular diante dos ataques sofridos pelo movimento sindical e pelas instituições democráticas nos últimos anos.

“Vocês abrem a campanha salarial do país e se tornam referência para todas as bases bancárias e para as demais categorias de trabalhadores do Brasil”, disse Suzart. “Se hoje temos direitos, é porque houve luta. Nada foi dado aos trabalhadores. Tudo foi conquistado com organização e enfrentamento”.

Suzart denunciou as tentativas de criminalização da atividade sindical e alertou para os riscos representados pelo avanço da extrema direita sobre direitos históricos da classe trabalhadora. Ele também destacou o papel dos bancários como referência nacional de organização sindical e lembrou que as conquistas da categoria são resultado direto da mobilização coletiva.

“O que está em disputa não é apenas uma eleição. Está em disputa o modelo de sociedade que queremos construir. Precisamos fortalecer a presença da classe trabalhadora nas câmaras municipais, nas prefeituras, nas assembleias legislativas e no Congresso Nacional. Sem representação política, os trabalhadores ficam sem voz nos espaços onde as decisões são tomadas”, enfatizou.

Conferência como espaço de construção da luta

Para a presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira, as conferências estaduais são espaços fundamentais de formulação política e construção coletiva das estratégias da categoria.

“É aqui que compartilhamos experiências, avaliamos a conjuntura e construímos as respostas para os desafios que estão colocados para a categoria e para toda a classe trabalhadora”, afirmou.

Juvandia destacou que o encontro acontece em um momento particularmente importante, marcado pela renovação da Convenção Coletiva de Trabalho dos bancários e pela necessidade de avançar em pautas históricas do movimento sindical.

“Estamos vivendo um período de definição de futuro. A luta pela redução da jornada, pela valorização do trabalho e pela ampliação dos direitos está colocada. E só vamos avançar se estivermos unidos, organizados e mobilizados”, declarou.

Contra o desmonte dos direitos e dos serviços públicos

A presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Neiva Ribeiro, chamou atenção para a necessidade de renovar as energias da categoria para enfrentar os desafios do próximo período.

Neiva destacou a disputa entre projetos que atacam os trabalhadores, enfraquecem a soberania nacional e colocam os interesses do mercado acima das necessidades da população.

Ela também criticou a postura dos bancos diante dos avanços tecnológicos, denunciando o fechamento de agências, a eliminação de postos de trabalho e a utilização da tecnologia para ampliar lucros, em vez de melhorar as condições de vida e trabalho.

“Não aceitamos que a inovação tecnológica seja usada para justificar demissões, sobrecarga e exclusão. A tecnologia precisa estar a serviço das pessoas, e não apenas dos resultados dos bancos”, afirmou.

A dirigente também denunciou a ofensiva do Santander contra o movimento sindical, citando ações da instituição para tentar impedir manifestações legítimas em defesa dos empregos e do atendimento à população.

Outro alvo das críticas foi o governo Tarcísio de Freitas, acusado de desmontar políticas públicas e atacar direitos, especialmente os voltados às mulheres.

Fortalecer a luta para salvar a democracia e defender a soberania

Encerrando a mesa de abertura, Aline Molina reforçou que os desafios colocados para a categoria ultrapassam as reivindicações específicas dos bancários e estão diretamente ligados à disputa de projetos em curso no Brasil e no mundo.

A dirigente alertou para o avanço da extrema direita em diversos países, citando os ataques promovidos pelo governo de Donald Trump contra direitos sociais, a soberania dos povos e as instituições democráticas. Segundo ela, a ofensiva internacional do capital financeiro e dos setores ultraconservadores também tem reflexos no Brasil, onde interesses econômicos e geopolíticos tentam enfraquecer instrumentos estratégicos de desenvolvimento nacional.

“O ataque ao Pix não é apenas um ataque a um sistema de pagamentos. É um ataque a uma tecnologia pública brasileira que democratizou o acesso aos serviços financeiros, reduziu custos para a população e mostrou que o Estado pode produzir soluções eficientes para o povo. Quando atacam o Pix, atacam também a soberania nacional e a capacidade do Brasil de construir alternativas aos interesses das grandes corporações financeiras internacionais”, afirmou.

Aline destacou ainda que a extrema direita atua globalmente para enfraquecer sindicatos, retirar direitos, privatizar serviços públicos e concentrar ainda mais riqueza nas mãos do mercado financeiro. Para ela, o movimento sindical precisa estar preparado para enfrentar essa disputa.

“Temos pela frente uma tarefa histórica. Precisamos defender a democracia, mas uma democracia que sirva à classe trabalhadora. Não basta defender as instituições; é preciso defender emprego, salário, direitos, soberania nacional e justiça social. O mesmo projeto que fecha agências, elimina empregos e precariza o trabalho é o projeto que tenta enfraquecer o Estado, atacar a organização sindical e entregar as riquezas do país. Nossa resposta precisa ser organização, mobilização e luta”, concluiu a presidenta da FETEC.

Os debates seguem ao longo do dia. Acompanhe os desdobramentos da 28ª Conferência Estadual pelo site e pelas redes da FETEC em @fetecsp

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