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sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024

EM CIMA DA HORA

publicado em 01/12/2023

Sindicalismo Contemporâneo: lideranças destacam importância da categoria bancária no avanço de direitos trabalhistas para o país

Segunda mesa do Seminário ‘Sindicalismo Contemporâneo’’ teve histórico de luta, homenagens e show de Aroeira


A segunda mesa do Seminário 'Sindicalismo Contemporâneo', coordenada pela secretária-geral da FETEC-CUT/SP,  Ana Lúcia Ramos Pinto, contou com lideranças que destacaram a importância da categoria bancária na formulação de pautas e na conquista de direitos que reverberaram para além da categoria, transformando a luta dos bancários em referência nacional. 

João Vaccari Neto, ex-presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região, abriu o debate rememorando a importância dos bancários na construção do novo modelo sindical dos trabalhadores.
Vaccari recordou a postura da Central Única dos Trabalhadores em relação às demais centrais sindicais que surgiram após sua fundação.

'Desde o início, defendemos a linha de combate às privatizações e a plena soberania do estado, ao passo que as outras centrais nasceram apoiando reformas liberais e desestatização'.

O ex-presidente do Seeb SP  também ressaltou a grande greve de 1985.
'A partir desse movimento, nossa forma de agir conquistou vários sindicatos em diversas capitais e também a partir dessa mobilização fomos construindo  nossa Convenção Coletiva', disse ele, lembrando que as federações dos trabalhadores bancários e sua Confederação resultaram de um extenso debate político, com foco na aprovação de uma CCT nacional para a categoria.

Kinder Ovo
"Luiz Claudio Marcolino, deputado estadual pelo PT e ex-presidente do Seeb SP, destacou as diversas conquistas da categoria bancária, incluindo a mobilização histórica para a obtenção do vale-refeição, através do 'kinder ovo' (atividades surpresa em frente aos bancos). 

Ex-vice-presidente da CUT, Marcolino lembrou aos dirigentes presentes a importância da ampliação do foco de representação nas agências, indo além dos caixas e não comissionados.

"Com reivindicações amplas, envolvemos também os comissionados e área gerencial nas reivindicações e lutas, como a PLR".

O deputado conclui seu painel lembrando que nossa posição mais ampla e cidadã se diferencia da maioria dos sindicatos de bancários ao redor do mundo. 'Somos uma exceção global que hoje é modelo para muitos países’’.

A história da Igualdade de oportunidades
 Ivone Silva, primeira mulher negra a presidir o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região, lembrou da luta amarga mas vitoriosa pela igualdade de oportunidades.

Cientista Social e urbanista, Ivone conta que no ano 2000, a categoria bancária conseguiu implementar a cláusula de igualdade de oportunidades na minuta de reivindicações.

‘’No final dos anos 90, a politica neoliberal do governo federal praticamente impedia a conquista de aumento real de salários  e surgiu então a idéia de focar no avanço em outros direitos''.

Ivone relembra que em 1998, a pauta da igualdade se tornou um dos principais pilares da campanha, o que acabou por se concretizar, mesmo com a Fenaban rejeitando o tema nas negociações.

"Progredimos muito nessa luta específica e, desde então, nunca deixamos de incluir e avançar em cláusulas não econômicas. Os espaços foram cada vez mais sendo conquistados pelas mulheres, inclusive no Comando Nacional da categoria''.

A campanha unificada em 2003, incluiu a Caixa e Banco do Brasil numa mesa única de negociação, representando um avanço radical e efetivo.

'Ter uma Campanha Nacional unificando a negociação nos trouxe anos de aumento real e novas conquistas".

No Acordo de 2018, Ivone destaca a manutenção e garantia de todos os direitos na CCT, incluindo BB e Caixa.
‘’Esse período é particularmente significativo para mim, com o Comando Nacional de negociação sendo coordenado por duas mulheres’’. 

’Nosso próximo grande desafio é conquistar a redução da jornada sem diminuição de salário. Nossa reivindicação de 4 dias de trabalho semanal já foi incluído em nossa pauta da ultima negociação nacional," conclui Ivone.


Desafio das novas gerações
Neiva Ribeiro, atual presidenta do Seeb SP, rememorou seu início no movimento sindical quando ainda era muito jovem e os vários diplomas de formação que adquiriu no sindicato.

‘’Naquele período pós-ditadura, muitos afirmavam que nós, jovens da época, não tínhamos história, mas tínhamos uma forte determinação em aprender e contribuir ativamente para o movimento. Sabendo dialogar com a categoria, fomos avançando''.

Para ela, o desafio das novas gerações no sindicalismo é dominar ainda mais a arte de mobilizar e reorganizar a categoria diante das rápidas mudanças, como as impulsionadas pela tecnologia.

''Permaneceremos sempre como uma categoria resistente às pressões do capitalismo e contra o avanço das forças reacionárias.O que foi feito é muito importante conhecer e debater, mas tudo avança e novas formas de luta e comunicação com os trabalhadores estão aí para serem usadas e criadas".

Narrativa histórica
A secretária-geral da FETEC-CUT/SP, Ana Lúcia Ramos Pinto, expressou seu orgulho pelo êxito do evento.

"Foi verdadeiramente emocionante trazer ícones do sindicalismo nacional para compartilhar uma narrativa histórica de toda uma jornada de luta que nos conduziu até este ponto. Como eles ressaltam, enfrentamos desafios consideráveis, sendo crucial preservar a força dos sindicatos para assegurar a ampliação e a garantia dos direitos dos trabalhadores."


Homenagem
Aline Molina, presidenta da FETEC-CUT/SP e secretária de Formação do Seeb SP, entregou uma placa em homenagem para cada um dos palestrantes convidados com os dizeres: ‘’Nosso agradecimento pela luta e dedicação à causa da classe trabalhadora brasileira’’.

‘’Tenho muito orgulho em fazer parte dessa história. De poder estar ao lado dessas pessoas de referência no embate por direitos trabalhistas e de construção da cidadania. Nossa categoria tem muitos desafios pela frente mas tem muito a celebrar porque temos conquistas históricas garantidas pela luta de cada dirigente e cada sindicato de nossa base’’. 


Um show de charges
O encerramento do Seminário foi marcado pela sensacional apresentação de Renato Aroeira.
Renomado cartunista, chargista e músico, Aroeira proporcionou uma experiência única ao compartilhar sua premiada e impactante narrativa por meio de sua arte. Agraciado com um Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog, suas charges são atualmente publicadas site Brasil 247.

Através das históricas charges do cartunista, que tem uma carreira de cerca de cinco décadas, as lideranças sindicais revisitaram momentos marcantes da história do Brasil. Entre os quais,  a nova república de Tancredo e Sarney, a queda de Collor, o desolador governo de FHC, o golpe contra Dilma, os avanços e resistências dos governos Lula, além das críticas certeiras e ácidas contra os senhores da guerra. 

Muitas de suas criações são consideradas verdadeiras premonições, como uma charge de 1993 retratando o então deputado Bolsonaro como um Estupidossauro.

‘’A charge é de opinião. Então, é claro que aquilo é a minha opinião. Os elementos que consideram essa opinião estão dentro da charge. O humor simplificado tende a ser um humor muito rasteiro e tende a trazer um sorriso muito mais fácil. Prefiro complicar”.

Aline Molina mencionou que Aroeira foi uma das inspirações por trás da organização do Seminário.

"Ao assistir a uma de suas apresentações, esse envolvente percurso artístico pela história não apenas trouxe à tona várias lembranças, mas também nos proporcionou várias ideias novas".

Onde ver a arte de Renato Aroeira:
https://www.brasil247.com/
instagram.com/arocartum
Twitter: AroeiraCartum
facebook.com/aroeira1
Para contratar:
 arocartum@gmail.com Fonte: FETEC CUT SP
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