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quinta-feira, 23 de maio de 2024

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publicado em 29/08/2016

Fenaban propõe 6,5% de reajuste com perda nos salários e não garante empregos

Comando Nacional cobra respostas não abordadas e Fenaban se compromete a apresentar nesta terça-feira (30).
 
Mais uma vez a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) se nega a oferecer uma proposta decente, que valorize os bancários. Após quatro rodadas de negociação com o Comando Nacional dos Bancários, a Fenaban propôs reajuste de 6,5% no salário, na PLR e nos auxílios refeição, alimentação, creche, e abono de R$ 3 mil. A proposta não cobre, sequer, a inflação do período, projetada em 9,57% para agosto deste ano e representa perdas de 2,8% para o bolso de cada bancário. Pressionada pelo Comando Nacional dos Bancários, a Fenaban ficou de apresentar nesta terça-feira (30), às 14h, em São Paulo, a resposta global das reivindicações, mas, segundo os banqueiros, “sem alterar o modelo de reajuste econômico apresentado”.
 
O Comando Nacional aprovou um calendário de lutas e orienta as Federações e Sindicatos a convocar assembleias de avaliação da proposta para o dia 1º de setembro, e caso seja rejeitada, indicativo de greve a partir do dia 6, com assembleia organizativa no dia 5 de setembro.
 
Para Roberto von der Osten, presidente da Contraf-CUT e um dos coordenadores do Comando Nacional dos Bancários, além de não garantir aumento real de salário, a proposta da Fenaban não contempla emprego, saúde, segurança, igualdade de oportunidades e todas as demais reivindicações da categoria.
 
“A proposta de reajuste é muito ruim e reduz salários. Repetimos para a Fenaban que abono significa um retrocesso. Queremos a reposição da inflação e ganho real, um modelo consagrado há mais de doze anos de negociações. Por estas razões, o Comando Nacional já disse à Fenaban que vai orientar a rejeição da proposta apresentada. Chegou a hora de cada bancário e bancária mostrar a sua disposição para a luta. Afinal, Só a Luta te Garante”, afirma Roberto von der Osten.
 
"Apresentamos toda nossa pauta, passamos a terceira rodada, no dia 24, ouvindo e debatendo os argumentos dos bancos. Hoje deveriam ter trazido para a mesa proposta global, mas só trouxeram a econômica e ainda muito baixa. Cobramos e os bancos voltam para mesa de negociação nesta terça-feira para responder pontos omitidos nessa proposta", ressalta Juvandia Moreira, presidenta do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região.
 
Os eixos centrais da campanha são: reposição da inflação do período mais 5% de aumento real, valorização do piso salarial, no valor do salário mínimo calculado pelo Dieese (R$3.940,24 em junho), PLR de três salários mais R$ 8.317,90, combate às metas abusivas, ao assédio moral e sexual, fim da terceirização, mais segurança, melhores condições de trabalho. A defesa do emprego também é prioridade na Campanha Nacional, assim como a proteção das empresas públicas e dos direitos da classe trabalhadora.
 
O lucro dos cinco maiores bancos (Itaú, Bradesco, Banco do Brasil, Santander e Caixa) no primeiro semestre de 2016 chegou a R$ 29,7 bilhões, mas houve corte de 7.897 postos de trabalho nos primeiros sete meses do ano. Entre 2012 e 2015, mais de 34 mil empregos foram reduzidos pelos banqueiros.
 
“Nossa pedida são que os 128 artigos da nossa pauta de reivindicações sejam considerados. Os bancos são o setor que mais lucra, entre 2003 e 2016, por exemplo, os lucros cresceram mais de 150%, enquanto a remuneração média dos bancários cresceu apenas 14,9%, abaixo do crescimento do ganho real acima da inflação, que foi cerca de 16%. É preciso lutar também por outras reivindicações importantes, como emprego, saúde, segurança, igualdade de oportunidades”, comenta Aline Molina, presidenta da Federação dos Bancários da CUT de São Paulo (FETEC-CUT/SP).
 
Proposta dos bancos
 
Reajuste de 6,5% (representa perda de 2,8% para os bancários em relação à inflação de 9,57%).
 
Abono de R$ 3.000,00 (parcela única, não incorporado aos salários).
 
Piso portaria após 90 dias - R$ 1.467,17.
 
Piso escritório após 90 dias - R$ 2.104,55.
 
Piso caixa/tesouraria após 90 dias - R$ 2.842,96 (salário mais gratificação, mais outras verbas de caixa).
 
PLR regra básica - 90% do salário mais R$ 2.153,21, limitado a R$ 11.550,90. Se o total ficar abaixo de 5% do lucro líquido, salta para 2,2 salários, com teto de R$ 25. 411,97.
 
PLR parcela adicional - 2,2% do lucro líquido dividido linearmente para todos, limitado a R$ 4.306,41.
 
Antecipação da PLR - Primeira parcela depositada até dez dias após assinatura da Convenção Coletiva. Pagamento final até 02/03/2017. Regra básica - 54% do salário mais fixo de R$ 1.291,92, limitado a R$ 6.930,54 e ao teto de 12,8% do lucro líquido - o que ocorrer primeiro. Parcela adicional equivalente a 2,2% do lucro líquido do primeiro semestre de 2016, limitado a R$ 2.153,21.
 
Auxílio-refeição - R$ 31,57.
 
Auxílio-cesta alimentação e 13ª cesta - R$ 523,48.
 
Auxílio-creche/babá (filhos até 71 meses) - R$ 420,36.
 
Auxílio-creche/babá (filhos até 83 meses) - R$ 359,61.
 
Vale-Cultura R$ 50 (mantido até 31/12/2016, quando expira o benefício).
 
Gratificação de compensador de cheques - R$ 163,35.
 
Requalificação profissional - R$ 1.437,43.
 
Auxílio-funeral - R$ 964,50.
 
Indenização por morte ou incapacidade decorrente de assalto - R$ 143.825,29.
 
 Ajuda deslocamento noturno - R$ 100,67.
 
Principais reivindicações dos bancários
 
Reajuste salarial: reposição da inflação (9,57%) mais 5% de aumento real.
 
PLR: 3 salários mais R$8.317,90.
 
Piso: R$3.940,24 (equivalente ao salário mínimo do Dieese em valores de junho último).
 
Vale alimentação no valor de R$880,00 ao mês (valor do salário mínimo).
 
Vale refeição no valor de R$880,00 ao mês.
 
13ª cesta e auxílio-creche/babá no valor de R$880,00 ao mês.
 
Melhores condições de trabalho com o fim das metas abusivas e do assédio moral que adoecem os bancários.
 
Emprego: fim das demissões, mais contratações, fim da rotatividade e combate às terceirizações diante dos riscos de aprovação do PLC 30/15 no Senado Federal, além da ratificação da Convenção 158 da OIT, que coíbe dispensas imotivadas.
 
Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS): para todos os bancários.
 
Auxílio-educação: pagamento para graduação e pós.
 
Prevenção contra assaltos e sequestros: permanência de dois vigilantes por andar nas agências e pontos de serviços bancários, conforme legislação. Instalação de portas giratórias com detector de metais na entrada das áreas de autoatendimento e biombos nos caixas. Abertura e fechamento remoto das agências, fim da guarda das chaves por funcionários.
 
Igualdade de oportunidades: fim às discriminações nos salários e na ascensão profissional de mulheres, negros, gays, lésbicas, transsexuais e pessoas com deficiência (PCDs).
 
Fonte: FETEC-CUT/SP com Contraf-CUT
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