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quarta-feira, 13 de novembro de 2019

EM CIMA DA HORA

publicado em 29/11/2016

Mexeu com ele, mexeu comigo marca ato no BB

Protesto também teve adesão de bancários de agências e setores que ainda não sofreram reestruturação
 
Uma das marcas do Dia Nacional de Luta contra o desmonte no Banco do Brasil, nesta terça-feira (29), foi o gesto de solidariedade que partiu de trabalhadores de agências e departamentos, na região central da cidade, que não foram atingidas pela reestruturação, mas que mesmo assim aderiram à paralisação promovida em protesto contra a medida da atual direção do banco, nomeada pelo governo Temer.
 
Oriundo do banco Nossa Caixa, um funcionário de agência que também cruzou os braços disse que tem acompanhado de perto o drama de colegas que de uma hora para outra souberam que sua unidade será fechada. “Conheço pessoas que trabalham no interior que não sabem o que farão se isso se concretizar. E mesmo aqui na capital, que tem muito mais locais de trabalho, o pessoal não sabe para onde ir. E caso percam a comissão nessa reestruturação, a redução na remuneração chegará a ser de 50%.”
 
O bancário revela ainda que, embora sua agência não conste na lista de encerramento de atividades, houve substancial redução na carteira, após uma campanha agressiva da instituição para a migração de clientes para o BB Digital. “Isso prejudicou muito nosso trabalho. Ou seja, poderemos ser os próximos. E é também para evitar isso que temos de ampliar esse movimento.”
 
De outro setor do banco, na Diretoria de Tecnologia, é enviada outra mensagem de união aos colegas que sofrem com os efeitos da reestruturação. “Não fomos atingidos até o momento. Mas não é por isso que temos de ficar passivos. Não. Agora o que a direção do banco precisa entender é: temos brio e não aceitamos esses absurdos. Acho que daqui para frente tem de ser algo do tipo mexeu com ele, mexeu comigo. Essa é nossa maior força e o próprio banco teme que fortaleçamos a unidade.”
 
Outro colega adverte que o sentimento é muito parecido com o da época em que a Nossa Caixa (incorporada pelo BB em 2009) corria o risco de ser privatizada. “Conversando com outros colegas, a impressão é de que esse é o início de um grande movimento para enxugar o banco em termos de estrutura e de pessoal para, num segundo momento, privatizar. O que seria uma lástima para todos os funcionários e também para o país.”
 
DIREITO TEM DE SER RESPEITADO
Esse sentimento de solidariedade foi enfatizado também pelos dirigentes sindicais durante assembleia de rua realizada em frente ao Complexo São João e que decidiu pela manutenção da paralisação durante toda a terça-feira, que atingiu cerca de 3 mil funcionários de diversas agências e complexos administrativos do centro da capital.
 
> União contra o desmonte do Banco do Brasil
 
A presidenta do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, Juvandia Moreira, destacou o desrespeito do banco com os trabalhadores. “Os funcionários ficaram sabendo pela imprensa que sua agência seria fechada. E a dimensão dessa reestruturação, anunciada em 20 de novembro, um domingo, até hoje é nebulosa. Não aceitamos isso e vamos promover mais manifestações em agências listadas para serem fechadas e envolveremos outros segmentos da sociedade nessa luta”, afirmou. “O Banco do Brasil é responsável por cerca de 60% do crédito imobiliário, tem participação importante no financiamento estudantil (Fies). Ou seja, é um banco público e não pode atuar apenas na busca do lucro e para beneficiar acionistas.”
 
No que diz respeito aos direitos dos trabalhadores, a cláusula 45ª do acordo aditivo à Convenção Coletiva de Trabalho (2016/2018) determina que a perda de comissão só pode ocorrer após três ciclos de avaliação negativa. “Não aceitaremos que isso seja ignorado pelo banco”, destaca Juvandia.
 
Para o diretor do Sindicato Paulo Rangel, o ato demonstrou a força do funcionalismo do BB, mas precisa ser ampliado. “E isso tem de partir também de cada bancário conversando com o colega de que esse ataque afeta a todos. O BB está tratando as pessoas como meros números, sem levar em consideração que está prejudicando a vida de milhares de pais e mães de família. A mobilização e a resistência são as nossas armas e isso cabe a todos.”
 
  Fonte: Seeb/SP
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